7.2.07

Algum tempo atrás, o mundo descobriu o Mars Volta. Não sei o que despertou o interesse de tantas pessoas por uma banda tão alternativa e diferente, mas alguma coisa o fez. Em mim, no entanto, não houve esse despertar. É um defeito meu, mas eu não tenho muita paciência para as faixas de sete ou oito minutos de suas músicas, e não vejo graça em faixas como The Widow, que não me parece tradicional apenas por seu comercial formato de três minutos e meio de duração, mas por algo mais na música mesmo, que eu não sei o que é. Soa como algo que eu já ouvi em milhares de lugares diferentes, em milhares de versões diferentes. Mas talvez fosse essa a intenção. E mesmo que não fosse, minha intenção não é falar de Mars Volta.

Se não quero falar dessa banda, então por que comecei falando dela? Porque o sucesso do Mars Volta serviu para aumentar o sucesso de outra banda: o At The Drive-In. Quando eu vi em algum lugar que o Cedric Bixler Zavala e o Omar Rodriguez-Lopez tinham outra banda antes de virem para a banda marciana, eu já havia ouvido falar do ATD-I, mas só então resolvi dar uma chance e ouvir as músicas do grupo.

Uma das minhas primeiras foi o clássico One Armed Scissor. E posso dizer: não é à toa que este um dos singles mais famosos deles. É muito, muito bom. Bem mais hardcore que qualquer coisa que o Mars Volta, bastante divertida e animada, e com uma letra bastante criativa, do jeito que eu gosto.

Daí, foi um passo para baixar todo o This Station Is Non-Operational (aliás, pesa na consciência não baixar música deles, mas se eu não baixasse, não teria vontade de comprar algum CD). Essa coletânea foi lançada depois que a banda acabou, com as músicas selecionadas pelos músicos, e é ótima para quem quer dar uma primeira olhada no trabalho da banda. Nela, dá para ver claramente o quanto eles eram talentosos e versáteis. Ao contrário de muitas bandas atuais (muitas das quais de sucesso, mas não vou citar nomes) eles fazem várias músicas, e não uma só com letras diferentes ou um acorde a mais e outro a menos. O que significa que, sim, nem todas as músicas são como One Armed Scissor, mas isso está longe de ser um defeito.

Enfim, não vou discorrer sobre toda a discografia da banda. Até porque vai ser mais divertido se vocês descobrirem algumas coisas por conta própria e formarem sua própria opinião, não é? Mas só para terminar, eu gostaria de comentar algumas coisas sobre o estilo do ATD-I, para quem está se perguntando “Mas essa porcaria é Rock? Punk? Hardcore? Dream-pop?”. A banda é, assumidamente, emo. Sim, emo. Mas não emo como essas coisinhas pop chorosas que hoje chamam de emocore. Emo como o Fugazi, banda do straight-edge Ian McKaye, ex-Minor Threat. Emo como as bandas de post-punk da década de 80 – mesmo sendo da década de 90. Enfim, emo como é emo uma banda que acabou antes da modinha começar.

Abra a cabeça e ouça At The Drive-In.


Leia ouvindo:
At The Drive-In - One Armed Scissor

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